Duff, p.6

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Duff
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  Casey, do outro lado da sala. — Ela provavelm ente vai ver a casa e o quarto dele,

  tudo isso. Você acha que ela pode dizer um as coisas legais sobre m im se eu

  pedir? Ela podia m e servir de interm ediária.

  Nem m e preocupei em responder.

  — As resenhas devem ser entregues daqui a um a sem ana, sem atraso! —

  anunciou a sra. Perkins, por cim a do burburinho. — Então, trabalhem nisso este

  fim de sem ana.

  A cam painha soou, e a turm a inteira ficou de pé na m esm a hora. A sra.

  Perkins, que era baixinha, fugiu da sala para evitar ser pisoteada pelos alunos que

  corriam em direção à porta. Casey nos alcançou na hora em que entram os no

  corredor.

  — Isso é besteira — sibilou. — Um trabalho sobre nada? Não quero escolher

  um tópico. Essa é a função dela! Qual o sentido desse trabalho se ela nem nos

  deu um tem a pra escrever? É ridículo.

  — Mas você vai poder estudar com Harrison, e…

  — Por favor, Jess, não com ece com isso. — Casey ergueu os olhos. — Ele.

  É. Gay. Não vai rolar nada, entendeu?

  — Nunca se sabe! Então você não aceita ser m inha interm ediária?

  — Encontro vocês no refeitório — falei, voltando-m e na direção do m eu

  arm ário. — Preciso pegar algum as coisas antes.

  — Está bem . — Casey pegou Jessica pelo pulso e arrastou-a para o outro

  corredor. — A gente se encontra nas m áquinas de lanche, certo, B? Venha, Jess.

  — E assim , elas m e deixaram sozinha no corredor lotado. Está bem , não

  exatam ente lotado. A escola Ham ilton tinha som ente uns quatrocentos alunos ou

  algo assim , m as, levando em conta os núm eros baixos, os corredores pareciam

  bastante cheios nessa tarde. Ou talvez eu estivesse estressada e m e sentindo

  claustrofóbica. De qualquer form a, m inhas am igas fugiram , e eu fiquei no m eio

  das feras.

  Saí dando cotoveladas para conseguir passar entre os caras m etidos a atletas

  e os casais se beij ando — essas exibições de afeto em público são tão

  desagradáveis — e fui para o departam ento de ciências. Dem orei só alguns

  m inutos para chegar até o m eu arm ário, que, com o o resto daquela escola

  pavorosa, era pintado de laranj a e azul. Girei a com binação do cadeado e abri a

  porta. Atrás de m im , um grupo de líderes de torcida passou correndo, gritando:

  “Vam os lá, Panthers! Panthers! Panthers!”.

  Tinha acabado de pegar m eu casaco e m inha m ochila e estava quase

  fechando a porta do arm ário quando ele apareceu. Sinceram ente, esperava que

  aparecesse antes.

  — Parece que som os parceiros, Duff.

  Chutei a porta do arm ário um pouco forte dem ais.

  — Infelizm ente sim .

  Wesley sorriu, passando os dedos pelos cachos escuros enquanto se

  encostava no arm ário ao lado do m eu.

  — Então, na sua casa ou na m inha?

  — O quê?

  — Pra fazer o dever de casa neste fim de sem ana — disse ele, estreitando

  os olhos. — Não com ece a ter ideias, Duff. Não estou perseguindo você. Estou

  apenas sendo um bom aluno. Wesley Rush não tenta conquistar garotas. Elas…

  — Tentam conquistar você. É, eu sei. — Vesti o casaco por cim a da

  cam iseta. — Já que tem os de fazer isso, pensei que podíam os…

  — Wesley ! — Um a m orena esguia que eu não reconheci (ela parecia estar

  no prim eiro ano) j ogou-se em cim a dele bem diante dos m eus olhos. Fitou

  Wesley com olhos enorm es e lânguidos. — Você vai dançar com igo no Baile de

  Boas-Vindas hoj e à noite?

  — Claro, Meghan — disse ele, passando a m ão nas costas dela. Ele era alto

  o suficiente para olhar dentro da cam iseta dela sem problem as. Babaca tarado.

  — Vou guardar um a dança pra você, certo?

  — Mesm o?

  — E eu m entiria?

  — Ah, obrigada, Wesley ! — Ele se curvou, e ela lhe deu um beij o rápido no

  rosto antes de sair correndo, sem olhar para m im nem um a vez.

  Wesley voltou a atenção de novo para m im .

  — O que é que você estava dizendo?

  Entredentes, rosnei:

  — Pensei que podíamos nos encontrar na minha casa.

  — Qual é o problem a com a m inha casa? — perguntou ele. — Você está

  com m edo que sej a m al-assom brada, Duff?

  — Claro que não. Só que prefiro estudar na m inha casa. Deus sabe que tipo

  de doenças eu poderia pegar só de botar o pé dentro do seu quarto. — Sacudi a

  cabeça. — Então, na m inha casa, certo? Am anhã à tarde, tipo às três. Ligue antes

  de ir.

  Não lhe dei chance de responder. Se Wesley tivesse algum problem a com

  isso, eu faria o trabalho sozinha. Então, esquecendo de m e despedir de propósito,

  fui em bora, passando direto pelos grupos de garotas que fofocavam e apertando

  o passo em direção ao refeitório.

  Encontrei Casey e Jessica esperando por m im perto das velhas m áquinas de

  lanche.

  — Não entendi, Case — dizia Jessica. Ela inseriu um dólar na única m áquina

  que funcionava e esperou até o refrigerante cair na fenda lá em baixo. — Você

  não precisa ficar e torcer durante o j ogo?

  — Não. Eu disse às garotas que não conseguiria ir hoj e à noite, então um a

  das substitutas, aquela bonitinha do prim eiro ano, vai ficar no m eu lugar. Passou o

  ano todo querendo isso e tem talento, m as não tinha lugar pra ela até agora. As

  m eninas ficarão bem sem m im .

  Cheguei perto delas antes de Jessica m e notar.

  — Pronto, Bianca chegou! Vam os dar o fora daqui! Uhuuu! Noite de

  Pij am a das Garotas!

  Casey revirou os olhos.

  Jessica abriu a porta azul que dava para o estacionam ento, sorrindo de

  orelha a orelha, e disse:

  — Vocês são as m elhores. Tipo, as m elhores mesmo. Não sei o que faria

  sem vocês.

  — Choraria no travesseiro toda noite — disse Casey.

  — Pensaria que suas outras am igas eram “as m elhores m esm o” — falei,

  devolvendo o sorriso. Não ia deixar Wesley Rush m e botar para baixo de j eito

  nenhum . De j eito nenhum ! Aquela era a noite da nossa Festa do Pij am a, e eu

  não ia deixar um babaca com o ele m e ferrar. — Você não esqueceu a prom essa

  do sorvete, esqueceu, Jessica?

  — Não, eu lem brei. Baunilha e chocolate.

  Atravessam os o estacionam ento e entram os no m eu carro. Im ediatam ente,

  Jessica enrolou-se na m anta velha, e Casey, estrem ecendo, olhou para ela com

  invej a enquanto colocava o cinto de segurança. Com um pisão rápido no

  acelerador, voam os para fora do estacionam ento dos alunos e pegam os a

  estrada, fugindo para longe da escola Ham ilton com o presos escapando das

  celas… o que m ais ou m enos éram os.

  — Não acredito que você não foi indicada para Rainha do Baile dessa vez,

  Casey — disse Jessica do assento traseiro. — Tinha certeza que seria.

  — Não. Fui eleita rainha no Baile de Boas-Vindas da equipe de futebol.

  Existe um a regra que diz que as pessoas não podem vencer m ais de um a vez no

  m esm o ano. Eu não podia ser indicada dessa vez. Vai ser Vikki ou Angela, tenho

  certeza.

  — Você acha que elas vão brigar se um a das duas ganhar? — Jessica

  parecia preocupada.

  — Duvido — disse Casey. — Angela não liga nem um pouco pra esse tipo

  de coisa. Vikki é a com petitiva… m as eu realm ente estava anim ada pra ver a

  tragédia desta noite. Eu disse a vocês que Vikki está pensando em sair com

  Wesley Rush tam bém ?

  — Não! — Jessica e eu gritam os j untas.

  — É — disse Casey, acenando com a cabeça. — Acho que ela realm ente

  está tentando fazer seu nam orado ficar com ciúm es ou algo assim . Ela está

  ficando com aquele j ogador de futebol, está levando um garoto de outra escola

  para o nosso baile e está dizendo pra todo m undo que espera ficar com Wesley.

  Vikki diz que eles j á ficaram um a vez depois de um a festa, recentem ente — acho

  que o nam orado ainda não sabe disso —, e está pensando em fazer isso de novo.

  Disse que foi incrível.

  — Ele foi pra cam a com ela? — engasgou Jessica.

  — Ele vai pra cam a com todo m undo — retruquei, entrando com o carro na

  rua 5. — Se ela tiver um a vagina, ele vai fazer sexo com ela.

  — Eca! Bianca! — gritou Jessica. — Não diga a… palavra com V.

  — Vagina, vagina, vagina — disse Casey sem rodeios. — Supere, Jess. Você

  tem um a. Você pode cham á-la pelo nom e.

  As bochechas de Jessica ficaram da cor de tom ates.

  — Não é preciso falar disso. É grosseiro e… íntim o dem ais.

  Casey ignorou-a e m e disse:

  — Ele pode ser um pegador, m as é incrivelm ente sexy. Até você precisa

  adm itir isso, B. Aposto que ele é fantástico na cam a. Quer dizer, você ficou com

  ele. Wesley foi incrível? Você consegue m esm o culpar Vikki por querer sair com

  ele?

  — Você ficou com Wesley ? — grasnou Jessica, engasgando-se com a

  própria excitação. — O quê? Quando? Por que não m e contou?

  Olhei irritada para Casey.

  — Ela está sem graça — explicou Casey, aj eitando a parte de trás do seu

  cabelo curto. — O que é um a bobagem , porque aposto que ela adorou beij á-lo.

  — Não adorei — disse.

  — Ele beij a bem ? — perguntou Jessica. — Me conta, m e conta, m e conta!

  Eu quero m uito saber.

  — Bem , j á que é pra contar, beij a, sim . Mas isso não faz com que sej a

  m enos noj ento.

  — Mas — interrom peu Casey —, com sua experiência, responda à m inha

  últim a pergunta. Você pode m esm o culpar Vikki por querer sair com ele?

  — Não preciso. — Liguei a seta do carro. — Ela vai se culpar sozinha

  quando tiver um a doença venérea… ou quando o nam orado dela descobrir. O

  que vier prim eiro.

  — E é exatam ente por isso que eu queria ir ao baile — suspirou Casey. —

  Poderíam os assistir a tudo em prim eira m ão… com o se fosse um episódio de

  Gossip Girl passado em Ham ilton. O nam orado da Vikki ficaria furioso e arm aria

  um a vingança enquanto sua nam orada infiel dorm e com o cara m ais sexy da

  escola, e Bianca, escondendo seu am or secreto por Wesley, sofreria e faria de

  conta que o odiava, em silêncio, ansiando pelo seu beij o supersexy e quente de

  novo.

  Meu queixo caiu.

  — Eu nunca ansiaria por nada desse tipo!

  Jessica deu um a gargalhada abafada no assento traseiro, puxando o rabo de

  cavalo por cim a da boca para esconder o riso quando olhei para ela pelo

  retrovisor.

  — Bom , enfim ... — suspirou Casey. — Estou certa de que ouvirei tudo sobre

  a tragédia na segunda-feira.

  — Ou am anhã, se a história for suficientem ente boa — disse Jessica. —

  Angela e Jeanine nunca conseguem guardar fofocas. Se o escândalo for m uito

  grande, você sabe que elas vão nos ligar e contar o que perdem os. Tenho certeza

  que vão. — Sorriu. — Espero que deem m uitos detalhes. Não acredito que estou

  perdendo o últim o Baile de Boas-Vindas.

  — Pelo m enos não está perdendo sozinha, Jess.

  Alguns instantes depois de parar na rua Holbrooke, entrei na garagem da

  casa dos Gaither. Arrancando as chaves da ignição, proclam ei:

  — Está oficialm ente iniciada a nossa Noite de Pij am a das Garotas!

  — Uhuuu! — Jessica pulou do assento traseiro e praticam ente dançou até a

  varanda da casa. Ela abriu a porta, e Casey e eu a seguim os, balançando a

  cabeça, divertidas.

  Tirei m eu casaco e pendurei-o no cabide logo atrás da porta. Jessica m orava

  em um a casa que m ais parecia um closet — lim pa, arrum ada, sapatos ficavam

  na porta da frente… desse tipo. Os pais dela eram superm aníacos com

  arrum ação. Casey fez a m esm a coisa e disse:

  — Eu queria que a m inha m ãe conseguisse deixar a casa arrum ada assim .

  Ou ela podia pelo m enos contratar um a faxineira ou algo do tipo. Nossa casa

  parece um depósito.

  A m inha tam bém não era tão bacana. Ela nunca tinha sido m uito exigente

  com a lim peza, e m eu pai só acreditava em um a lim peza anual, na prim avera.

  Além das roupas, dos pratos e de um a faxina leve de vez em quando (que era

  habitualm ente feita por m im ), não eram feitas m uitas tarefas dom ésticas no lar

  dos Piper.

  — A que horas seus pais chegam , Jessica? — perguntei.

  — Minha m ãe chega às cinco e m eia, e m eu pai chega um pouco depois das

  seis. — Ela estava nos esperando no pé da escada, pronta para correr para o

  quarto assim que nos j untássem os a ela. — Mas m eu pai com eçou a atender um

  paciente novo hoj e, então pode ser que chegue um pouco m ais tarde.

  O sr. Gaither era terapeuta. Mais de um a vez, Casey tinha am eaçado

  perguntar a ele se m e atenderia de graça. Para ver se m e aj udava a lidar com

  m inhas “questões”. Não que eu tivesse questões. Mas Casey dizia que m eu

  cinism o era resultado de algum conflito interno. Eu dizia que era só m inha

  inteligência. E Jessica… bem , Jessica não dizia nada. Mesm o que a gente só

  falasse disso de brincadeira, ela ficava sem pre um pouco sem j eito quando o

  assunto surgia. Com todo o blá-blá-blá psicanalítico que devia ouvir do pai, ela

  provavelm ente pensava mesmo que m inha negatividade constante era parte de

  um conflito interno.

  Jessica odiava negatividade. Odiava tanto, que na verdade nem dizia que

  odiava. Seria negativo dem ais.

  — Vam os, vam os! Vocês ainda não estão prontas?

  — Vam os com eçar a festa! — berrou Casey, correndo pela escada e

  passando por Jessica.

  Jessica ria com o um a m aluca enquanto tentava alcançar Casey, m as eu

  dem orei um pouco m ais, seguindo-as pela escada em ritm o norm al. Quando

  cheguei ao andar de cim a, consegui ouvir m inhas am igas rindo e conversando no

  quarto no final do corredor, m as não segui as vozes. Algo atraiu m inha atenção

  prim eiro.

  A porta do prim eiro quarto, o da esquerda, estava bem aberta. Minha m ente

  m e disse para passar direto, m as m eus pés não ouviram . Parei na porta aberta,

  querendo que m eus olhos desviassem . Meu corpo apenas não queria cooperar.

  Um a cam a im pecavelm ente arrum ada com um edredom azul-m arinho

  gasto. Pôsteres de super-heróis cobrindo as paredes. Um a luz negra em cim a da

  cabeceira. O quarto estava quase exatam ente com o eu m e recordava dele,

  apenas não havia roupas suj as no chão. O arm ário aberto parecia vazio, e o

  calendário de Hom em -Aranha, que ficava acim a da m esa do com putador, tinha

  sido retirado. Mas o quarto ainda parecia aconchegante, com o se ele ainda

  estivesse ali. Com o se eu ainda tivesse catorze anos.

  — Jake, não estou entendendo. Quem era essa garota?

  — Ninguém. Não se preocupe com isso. Ela não significa nada pra mim.

  — Mas…

  — Shhh… Não é nada importante.

  — Amo você, Jake. Não minta pra mim, está bem?

  — Não faria isso.

  — Promete?

  — Claro. Você acha mesmo que eu iria machucar você, Bi…

  — Bianca! Onde diabos você se m eteu?

  A voz de Casey m e sobressaltou. Rapidam ente, saí do quarto e fechei a

  porta, sabendo que não conseguiria passar por ela toda vez que precisasse ir ao

  banheiro naquela noite.

  — Estou indo! — Consegui m anter o tom norm al da m inha voz. — Meu

  Deus! Sej am pacientes um a vez na vida!

  Depois, com um sorriso forçado, fui ver um film e com m inhas am igas.

  capítulo 7

  Depois de pensar nisso por um tem po, decidi que havia m uitos benefícios em ser

  um a Duff.

  Benefício 1: não é preciso se preocupar com cabelo ou m aquiagem .

  Benefício 2: não há pressão para ser descolada — não é para você que estão

  olhando.

  Benefício 3: sem problem as com garotos.

  Pensei no benefício 3 quando estávam os assistindo a Desejo e reparação no

  quarto de Jessica. No film e, a coitada da Keira Knightley tem que passar por

  toda aquela tragédia com Jam es McAvoy, m as, se não fosse atraente, ele nunca

  teria olhado para ela. Seu coração não partiria. Afinal, todo m undo sabe que a

  conversa do “é m elhor ter am ado e perdido…” é baboseira.

  Essa teoria se aplica a vários film es tam bém . Im agine. Se Kate Winslet

  fosse um a Duff, Leonardo DiCaprio não teria corrido atrás dela em Titanic, e isso

  teria poupado a todos um rio de lágrim as. Se Nicole Kidm an fosse feia em Cold

  Mountain, não precisaria se preocupar com Jude Law quando ele foi para a

  guerra. E a lista é infinita.

  Observava m inhas am igas sofrendo por causa de garotos o tem po todo.

  Habitualm ente, as relações acabavam com elas chorando (Jessica) ou gritando

 

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