Duff, p.9

Duff, page 9

 

Duff
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  que tinha partido m eu coração.

  Corri para a sala de aula bem quando o segundo sinal tocou. Sabia que os

  olhos do sr. Chaucer m e fuzilavam , porém não m e incom odei com isso. Ocupei

  m eu lugar perto do fundo da sala, tentando desesperadam ente m e concentrar em

  outra coisa.

  Mas nem m esm o o com entário irônico de Toby Tucker sobre o poder

  legislativo ou a parte de trás de sua cabeça adoravelm ente fora de m oda podia

  desviar m eus pensam entos de Jake e sua futura esposa.

  Eu m al ouvi um a palavra que o sr. Chaucer disse durante a aula, e, quando o

  sinal tocou, m inha página de anotações, que deveria estar cheia de detalhes do

  curso, consistia em apenas duas frases curtas e quase ilegíveis. Meu Deus, eu

  seria reprovada nessa m atéria se m erdas desse tipo continuassem acontecendo.

  Tanto dram a! Se eu fosse um a rica esnobe de Manhattan, podia ser um a

  personagem de Gossip Girl. (Não que eu assista àquele seriado podre… com

  frequência… até onde m inhas am igas sabem …) Por que a m inha vida não podia

  ser um seriado? Mas, bem , até o elenco de Friends era problem ático.

  Andei sem rum o pelo refeitório, e encontrei Casey e Jessica esperando por

  m im em nossa m esa. Com o sem pre, Angela, Jeanine e a prim a de Jeanine, Vikki,

  nos fizeram com panhia. Angela estava ocupada m ostrando a todas seus novos

  tênis Vans, então m eu tédio passou despercebido quando m e j oguei na m inha

  cadeira.

  — Fofo — com entou Casey, sorrindo para os calçados. — Quem te deu?

  — Meu pai — respondeu Angela, levantando a ponta de seu tênis roxo. —

  Ele e m inha m ãe estão com petindo pelo m eu am or agora. No com eço foi m eio

  que irritante, m as decidi m e aproveitar disso e m e divertir. — Ela cruzou as

  pernas e j ogou seu cabelo escuro para trás. — Espero que o próxim o presente

  sej a um Prada.

  Todas riram .

  — Não ganhei nada legal quando m eus pais se divorciaram — disse Casey.

  — Meu pai realm ente não se im portava se eu o am ava m ais, eu acho.

  — Isso é triste, Case — m urm urou Jessica.

  — Ah, na verdade não. — Casey deu de om bros e com eçou a m exer em

  sua unha pintada de esm alte laranj a. — Meu pai é um im becil. Fiquei feliz

  quando m inha m ãe o chutou de casa. Ela chora m uito m enos agora, e quando

  m inha m ãe está m ais feliz, o m undo está m ais feliz. Claro, não tem os m ais tanto

  dinheiro, m as m eu pai não gastava m uito com a gente, de qualquer form a. Ele se

  ofereceu pra com prar um carro pra m inha m ãe, que ela não queria, m as é só

  um a dem onstração de sua natureza boa.

  — Divórcios são deprim entes. — Jessica suspirou. — Eu ficaria arrasada se

  os m eus pais se separassem . Você não ficaria, Bianca?

  Senti um calor correr pelo m eu rosto, entretanto Casey estava m udando de

  assunto, então fingi não ter ouvido a pergunta de Jessica.

  — Ei, Vikki, o que aconteceu na noite do Baile de Boas-Vindas? Você nunca

  nos contou com o acabou.

  Jeanine deu um a risadinha consciente.

  — Você ainda não contou pra elas, Vikki?

  Vikki revirou os olhos e enrolou um a m echa de seus cabelos loiros cacheados

  em volta de seu dedo com unhas perfeitas.

  — Ai, m eu Deus. Tudo bem , então o Clint está totalm ente sem falar com igo,

  e Ross…

  Os ruídos e vozes do refeitório encobriram a voz dela, e a m inha m ente

  fugiu dali. Por m ais que eu quisesse parar de pensar em Jake, não podia m e

  obrigar a ficar interessada nos problem as de Vikki com os garotos. Em qualquer

  outro dia, eu acharia até um pouco divertido sua história, com o se fosse m inha

  própria novela pessoal, m as, naquele m om ento, aquele dram alhão parecia tão

  vago e desim portante. Tão insípido. Tão indulgente. Tão vazio...

  Eu não podia evitar m e sentir um pouco culpada por pensar nisso. Aquilo m e

  deixou tão autoabsorta quanto ela. Então, tentei ouvir com m eia dedicação as

  reclam ações de Vikki McPhee.

  Até que algo que ela disse capturou m inha atenção com pleta.

  — … m as eu realm ente fiquei com Wesley um pouquinho m ais tarde.

  — Wesley ? — perguntei.

  Vikki olhou para m im , orgulhosa do que ela enxergava com o um a conquista.

  Será que ela não sabia que m ais de dois terços das garotas da escola tinham

  conquistado a m esm a coisa? Incluindo eu… m as, é claro, Vikki não sabia daquela

  parte.

  — Sim — disse ela. — Depois da briga com Clint, saí com Wesley no

  estacionam ento. Nós ficam os no carro dele por um tem po, m as a m inha m ãe

  ligou, então precisei ir pra casa antes de fazer qualquer coisa. Um a droga, né?

  — Claro.

  Meus olhos se m overam pelo refeitório, buscando por poucos segundos até

  localizar a parte de trás da cabeça de cachos castanhos centím etros m ais alto que

  todos os outros ao seu redor. Estava sentado com um grupo de am igos — a

  m aioria garotas, naturalm ente — em um a m esa com prida e retangular do outro

  lado do salão. Usava um a cam iseta preta apertada que, apesar de não ser

  realm ente apropriada para as tem peraturas frias do com eço de fevereiro,

  m ostrava seus braços perfeitam ente m usculosos. Braços que tinham se

  enroscado em volta de m im … braços que tinham aj udado a apagar o m eu

  estresse…

  — Eu j á contei a vocês que m eu irm ão está vindo pra cidade? — perguntou

  Jessica. — Ele e a noiva vêm fazer um a visita esta sem ana.

  Os olhos preocupados de Casey im ediatam ente se viraram para m im e se

  arregalaram quando percebeu que eu estava de pé.

  — Aonde você vai, B?

  Todas à m esa olharam para m im na hora, e eu tentei parecer convincente.

  — Acabei de m e lem brar — falei. — Preciso ir falar com Wesley sobre

  nosso proj eto de inglês. — Que se dane o plano de evitá-lo. Eu tinha um a ideia

  m elhor e m ais útil.

  — Vocês não term inaram aquilo no sábado? — perguntou Jessica.

  — Nós com eçam os o proj eto, m as não term inam os o relatório.

  — Porque vocês estavam m uito ocupados ficando — provocou Casey,

  piscando para m im .

  Não pareça culpada. Não pareça culpada.

  — Ficando? — Vikki levantou um a sobrancelha para m im .

  — Você não ouviu? — riu Jessica, sorrindo de m aneira natural para m im . —

  Bianca está desesperadam ente apaixonada por Wesley.

  Fingi um barulho de engasgar, e todas riram .

  — Sim , claro — falei, deixando nítido que m inha voz estava cheia de

  irritação e noj o. — Eu não o suporto. Meu Deus, eu perdi tanto o respeito pela

  sra. Perkins desde que ela m e fez trabalhar com ele!

  — Eu ficaria em êxtase se fosse você — disse Vikki, soando um pouco

  am arga.

  Jeanine e Angela balançaram a cabeça em concordância.

  — Que sej a. — Eu estava m e sentindo um pouco nervosa. — Preciso falar

  com ele pra term inar isso. Vej o vocês todas m ais tarde, certo?

  — Certo — disse Jessica, acenando anim adam ente.

  Andei apressada através do refeitório cheio, sem parar até estar a cinco

  passos da m esa de Wesley, na qual o único outro ocupante m asculino era

  Harrison Carly le. Então fiz um a pausa de um segundo, subitam ente m eio

  hesitante.

  Um a das garotas, um a loira m agricela com os lábios de Angelina Jolie,

  estava reclam ando de suas férias horrorosas em Miam i, e Wesley estava ouvindo

  com a atenção arrebatada — obviam ente tentando convencê-la de sua sim patia.

  O noj o apagou m inha insegurança, e lim pei a garganta bem alto, conseguindo a

  atenção do grupo inteiro.

  A loira estava agitada e brava, m as foquei Wesley, que olhou para m im

  casualm ente, com o faria com qualquer outra garota. Eu ergui o nariz e disse:

  — Preciso falar com você sobre nosso trabalho de inglês.

  — Isso é necessário? — perguntou Wesley com um suspiro.

  — Sim — respondi. — Agora m esm o. Não vou ser reprovada nessa tarefa

  estúpida por causa da sua preguiça.

  Ele revirou os olhos e ficou de pé.

  — Desculpem -m e, senhoras — disse ele às garotas atingidas pela tragédia.

  — Vej o vocês am anhã. Vocês guardam um lugar pra m im ?

  — Claro que guardam os! — um a ruiva pequenina esgoelou.

  Enquanto Wesley e eu nos afastávam os, ouvi a bocuda sibilar:

  — Deus, aquela garota é um a vaca!

  Quando estávam os no corredor, Wesley perguntou:

  — Qual o problem a, Duff? Eu não lhe enviei um e-m ail com o trabalho

  ontem à noite, exatam ente com o você exigiu? E aonde precisam ente estam os

  indo? À biblioteca?

  — Só cale a boca e venha com igo. — Eu o conduzi pelo saguão através das

  salas de aula de inglês.

  Não pergunte onde foi que eu tive essa ideia, porque não poderia contar,

  m as eu sabia com precisão aonde estávam os indo, e tinha certeza de que isso

  poderia m e tornar oficialm ente um a vagabunda. Mas, quando chegam os à porta

  do arm ário vazio do zelador, não sentia nenhum a vergonha… ainda não, pelo

  m enos.

  Agarrei a m açaneta e percebi que os olhos de Wesley se estreitaram ,

  suspeitando. Escancarei a porta, conferi que não havia ninguém observando e fiz

  um gesto para que ele entrasse. Wesley entrou no pequeno arm ário e eu o segui,

  fechando a porta furtivam ente atrás de nós.

  — Algo m e diz que isto não diz respeito ao livro A letra escarlate —

  com entou Wesley, e m esm o no escuro eu sabia que ele estava sorrindo.

  — Fica quieto.

  Dessa vez ele m e encontrou na m etade do cam inho. As m ãos dele se

  enroscaram no m eu cabelo, e as m inhas grudaram em seus antebraços. Nos

  beij am os violentam ente, e m inhas costas se chocaram contra a parede. Ouvi um

  esfregão — ou talvez um a vassoura — cair, m as m eu cérebro m al registrou o

  som enquanto um a das m ãos de Wesley se m ovia até m eu quadril, m e

  aproxim ando dele. Ele era tão m ais alto que eu que precisava inclinar m inha

  cabeça para trás quase com pletam ente para encontrar seu beij o. Seus lábios

  com prim iram os m eus com força, e eu deixei m inhas m ãos explorarem seus

  bíceps.

  O cheiro do perfum e dele, m ais do que o ar estagnado do arm ário,

  preencheu m eus sentidos.

  Nós lutam os no escuro por um tem po antes de eu sentir sua m ão

  insistentem ente levantando a bainha da m inha cam iseta. Engasgando, eu m e

  afastei do beij o e agarrei seu punho.

  — Não… não agora.

  — Então quando? — perguntou Wesley em m eu ouvido, ainda m e

  prendendo à parede. Ele nem m esm o soava zonzo.

  Eu, por outro lado, lutava para retom ar o fôlego.

  — Mais tarde.

  — Sej a m ais específica.

  Eu m e contorci para fora de seus braços e m e m ovi para a porta, quase

  tropeçando no que m e pareceu ser um balde. Levantei um a das m ãos para alisar

  m eu cabelo bagunçado e cheguei até a m açaneta da porta.

  — Hoj e à noite. Estarei na sua casa por volta das sete horas. Certo?

  Antes de ele poder responder, m e esgueirei para fora do arm ário e corri

  pelo corredor, esperando que m eu andar não denunciasse m inha vergonha.

  capítulo 10

  Não achei que o sinal do fim das aulas fosse tocar algum dia. A aula de cálculo

  foi excruciantem ente longa e chata, e a de inglês foi de acabar com os nervos.

  Eu m e peguei olhando para Wesley do outro lado da sala diversas vezes, ansiosa

  para sentir os efeitos entorpecentes de seus braços, m ãos e lábios novam ente.

  Só rezava para m inhas am igas não perceberem . Jessica, é claro, acreditaria

  em m im se eu lhe dissesse que ela estava im aginando coisas; Casey, por outro

  lado… bem , por sorte Casey estava absorta dem ais na lição de gram ática da sra.

  Perkins — ah, sim , até parece! — para olhar para m im . Ela provavelm ente m e

  interrogaria por horas e adivinharia tudo o que havia acontecido, enxergando

  bem através das m inhas negativas. Eu realm ente precisava cair fora daquela

  aula antes de ser descoberta.

  No entanto, quando o sinal finalm ente tocou, não tive pressa algum a de sair

  da escola.

  Jessica passou pelo refeitório com seu rabo de cavalo loiro balançando atrás

  dela.

  — Mal posso esperar para vê-lo!

  — Já entendem os, Jess — disse Casey. — Você am a seu irm ão m ais velho.

  É fofo, de verdade, m as você disse isso hoj e… vinte vezes? Trinta, talvez?

  Jessica corou.

  — Bem , não posso esperar.

  — Claro que você não pode. — Casey sorriu para ela. — Tenho certeza de

  que ele ficará feliz de ver você tam bém , m as talvez você devesse se acalm ar só

  um pouquinho. — Ela parou no m eio do refeitório e olhou para m im por cim a do

  om bro. — Você vem , B?

  — Não — falei, m e agachando e m exendo nos cadarços dos m eus sapatos.

  — Eu preciso… am arrar isto. Vocês vão indo, m eninas. Não se atrasem por

  m im .

  Casey m e deu um olhar de quem entendia, antes de acenar com a cabeça e

  de em purrar Jessica para a frente. Ela com eçou um a nova conversa para distrair

  Jessica da m inha desculpa lam entável.

  — Então, conte-m e sobre essa noiva. Com o ela é? Bonita? Burra com o um

  saco de batatas? Quero detalhes.

  Esperei no refeitório uns bons vinte m inutos, sem querer m e arriscar a

  encontrar com ele no estacionam ento. Com o é engraçado que, m enos de sete

  horas antes, eu estivesse evitando um cara com pletam ente diferente… um que

  agora eu estava desesperada para ver. Tão doentio e estranho com o poderia ser,

  eu m al podia esperar para voltar ao quarto de Wesley. De volta a m inha própria

  ilha e refúgio particular. De volta ao m eu m undo de fuga. Mas prim eiro

  precisava esperar até que Jake Gaither dirigisse para fora do estacionam ento.

  Quando fiquei segura de que ele tinha ido em bora, deixei a escola, puxando

  m eu casaco com força em volta de m im . O vento de fevereiro batia no m eu

  rosto enquanto andava pelo estacionam ento vazio, e a visão do m eu carro sem

  aquecedor não m e trouxe nenhum conforto. Deslizei pelo banco do m otorista,

  trem endo com o louca, e dei partida no m otor. O cam inho de volta pareceu levar

  horas, em bora a escola ficasse a apenas quatro quilôm etros da m inha casa.

  Com ecei a im aginar se poderia ir à casa de Wesley algum as horas m ais

  cedo quando entrei na garagem e m e lem brei do m eu pai. Ah, que ótim o. O

  carro dele estava na garagem , m as ele não devia ter chegado em casa do

  trabalho ainda.

  — Droga! — gem i, socando o volante e pulando com o um a idiota quando a

  buzina tocou. — Droga! Droga!

  Fui tom ada pela culpa. Com o pude esquecer de m eu pai? O pobrezinho,

  solitário, isolado-em -seu-quarto? Fiquei preocupada ao pensar que ele pudesse

  ainda estar em seu quarto quando deixei o carro e cam inhei com dificuldade pela

  frente de casa. Se ele ainda estivesse lá, será que eu teria de pôr a porta abaixo?

  E então… fazer o quê? Gritar com ele? Chorar com ele? Dizer a ele que m am ãe

  não o m erecia? Qual seria a resposta certa?

  Mas papai estava sentado no sofá quando entrei, com um a tigela de pipocas

  no colo. Hesitei na porta, incerta sobre que diabos estava acontecendo. Ele

  parecia… normal. Não parecia que tinha chorado, ou bebido, ou qualquer coisa

  assim . Só parecia com m eu pai, com seus óculos de lentes grossas e seu cabelo

  averm elhado e bagunçado. Do m esm o j eito que eu o via em qualquer outro dia

  da sem ana.

  — Ei, Abelhinha — disse ele, olhando para m im . — Quer um pouco de

  pipoca? Tem um film e do Clint Eastwood...

  — Hum … não, obrigada. — Olhei em volta da sala. Sem vidros quebrados.

  Sem garrafas de cervej a. Com o se ele não tivesse bebido naquele dia, de form a

  algum a. Pensei se realm ente era o que parecia. Se a recaída havia acabado. Será

  que recaídas funcionavam desse j eito? Não tinha a m enor ideia. Mas eu não

  podia aj udar se duvidasse dele. — Papai, você está bem ?

  — Ah, estou bem — disse ele. — Acordei tarde hoj e, então liguei para o

  trabalho e disse que estava doente. Não tirei nenhum dos m eus dias de férias,

  então não é nada de m ais.

  Espiei a cozinha. O envelope ainda estava sobre a m esa. Intocado.

  Ele devia ter seguido m eu olhar, ou adivinhado, porque disse, com um

  encolher de om bros:

  — Ah, esses papéis estúpidos! Sabe, eles m e colocaram em um a cilada. Eu

  finalm ente pensei nisso e entendi que é tudo um engano. O advogado da sua m ãe

  se aproveitou do fato de que, dessa vez, ela foi um pouco m ais longe do que de

 

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